Melão-de-São Caetano

Domingo Glenir Santarnecchi

Domingo Glenir Santarnecchi

Você sabia que existe uma fruta pouco conhecida que dá em forma de trepadeira de pequeno porte, não muito mais de um metro de altura denominada “Melão-de-são caetano”. O Engenheiro Agrônomo José Zigno, do Rio Grande do Sul, descreve:
“Conheço a fruta remetida, desde o tempo de guri, quando com outros companheiros saia à procura dos frutos maduros para comer a polpa bem vermelha e adocicada que envolvia as sementes numerosas. Nem sabia o nome, mas depois fiquei sabendo que chamavam “melão-de-são-caetano”, que se encontrava na beira dos caminhos trepada numa cerca ou numa haste de capoeira. Trata-se de uma Cucurbitácea, família das abóboras etc., cujo nome científico é Momordica Charantia L. A espécie é originária da Ásia, mas foi trazida para o Brasil da África pelos primeiros escravos e plantada numa capela, dedicada a São Caetano nas proximidades de Mariana, Minas Gerais. Daí a planta foi batizada com o nome de São Caetano e, assim, propagada por sementes a quase todas as partes habitadas do país”.

Descrição da planta

O melão-de-são-caetano é uma trepadeira herbácea e anual. A raiz principal e pivotante apresenta rizomas que permitem a rebrotação, perenizando a planta. O caule aéreo, com estrias, é ramificado, principalmente na parte inferior, atingindo os ramos até três metros de comprimento nas boas condições ambientais e dotado de “gravinhas” simples e espiraladas que se enroscam nos obstáculos que encontram.
As folhas são simples, alternas, longo-pecioladas, de limbo membranáceo, palmado multilobado (5 ou 7). Nas folhas da amostra remetidas os lobos não são tão acentuados.
Como todas as Cucurbitáceas, o melão-de-são-caetano é espécie “monóica”, tem flores masculinas e femininas solitárias, mas na mesma planta, frequentemente pareadas. As masculinas têm pedúnculos compridos e corola com cinco pétalas livres, de coloração amarela, estames também em número de cinco. As flores femininas, axilares, também longo-pecioladas, ovário ínfero, fusiforme com saliências superficiais.
O fruto é uma cápsula trivalvar carnosa e fusiforme que pode atingir 3 a 4 centímetros de diâmetro e até 15 centímetros de comprimento. É verde enquanto cresce e externamente revestido de numerosas protuberâncias parecidas com espinhos (não agressivos), torna-se amarelo-dourado quando amadurece. O fruto bem maduro abre-se na extremidade inferior, as três valvas carnosas, afastando-se umas das outras, dobram-se para trás, mostrando as sementes circulares e achatadas, envolvidas de uma polpa suculenta vivamente colorida de vermelho. A polpa é comestível, adocicada e estranha, mas agradável. Pena ser relativamente pouca a quantidade. As sementes trituradas apresentam certa toxidez como as de outras cucurbitáceas.

Utilidades

“Tem valor ornamental sendo às vezes cultivada para embelezar caramanchões”. (Kurt G. Kissmann – Plantas Infestantes).
“No estado verde, o caule e as folhas trituradas servem às lavadeiras, sobretudo no norte do país, para branquear as roupas”. Daí outro de seus nomes populares: erva-lavadeira. (Pio Correa – Plantas Úteis do Brasil – Volume V).
“Os frutos novos crus são comestíveis em salada, cozidos ou fritos depois de desembaraçados das sementes e escaldados, para tirar a amargura”. (Eurico Teixeira – Frutas do Brasil).
“O suco do fruto é febrífugo, purgativo, vermífugo e contra hemorróidas”. (Irmão Cirilo – Plantas Medicinais).
“Os escravos empregavam a planta contra febres, enfeitavam-se com as hastes, folhas e frutas nas festas típicas. Na Índia seu uso como anti-diabético é consagrado nas afecções hepáticas, febrífuga e anti-helmíntica. Uso local e externo contra torções e traumas, afecções de pele e dores reumáticas”. (Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais – Seleções de Reader’s Digest – Lisboa – Portugal).

*Domingo Glenir Santarnecchi
Cadeira 31 – Patrono: Gonçalves Dias

Fonte: Foram consultados diversos professores e agrônomos do Rio Grande do Sul, cujas informações foram divulgadas pela primeira vez no jornal Correio Riograndense de Caxias do Sul, em 2002, na coluna “Vida Agrícola”, de autoria do Engenheiro Agrônomo José Zigno, atendendo consulta de Luiz e Gladis Disegna, da cidade de Canoas – RS.

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