Academia de Letras da Grande São Paulo

Mário Dal´mas
Mário Dal´mas

Céu azul
Manhã fria
O trinar dos pássaros anunciando o alvorecer
Uma tênue névoa cobrindo o capinzal
Colinas várzeas verdejantes
Rios de águas cristalinas
Olarias desativadas
A capelinha em ruínas
Na nave o zinzilular das andorinhas
É o chirriado das corujas
Uma picada sinuosa
Trilhos de aço
Ouve-se o apito
Chega a composição
É 28 de Julho de 1877
Italianos pisam o solo
Ferramentas de trabalho aos ombros
Enxadas, pás, picaretas, alfanje
Vaporando a locomotiva segue viagem
Silêncio…
Sibila o vento por entre o mato fino
Murmuram as águas dos rios
Atônitos contemplam o panorama verde de fundo azul
Lágrimas rolam pela face
Perde-se no espaço o chio de alguns animais
No silêncio o gorjear dos pássaros
Plumagem colorida e brilhante
Saltitam de galho em galho
Papa-capins, pintassilgos, canários, sanhaços,
Tizius, bem-te-vis, sem fins
Os pássaros-pretos se fazem ouvir com enérgico
Canto assobiado
E a melodia dos canários
E o cantarolar melancólico dos tico-ticos
A gritaria alegre dos periquitos
Os papa-capins participam com o musical agudo e delicado
No capinzal o alarido suave dos bicos-de-lacre
Os canários-do-campo soltam suas clarinadas
Com voz onomatopeica pixoxós, bem-te-vis,
Interferem na orquestração
O tiziu com seu cantarolar acrobático
Os cantos das cigarras emolduram o coro da passarada
É a sinfonia louvando a natureza
Os colibris estáticos no ar beijam as flores silvestres
Borboletas multicoloridas dançam sobra as capoeiras
Com este esplendor, os imigrantes são recepcionados
A trilha os conduz à capela
Reconstroem-na com fé
Na cruz de Cristo, brasileiros e italianos se congregam
As duas raças se irmanam
A noite é despertada pelo coaxar das rãs
Aqui, acolá o cricrilar dos grilos
É o silvo das serpentes
É o grito metálico dos sapos
É o pirilampo enfeitando o negrume da noite
Madrugam com enxada em punho
Chapéu e calças arregaçadas
Ombros curvados
Mãos calejadas
Ferramentas golpeiam o solo
Gemem as enxadas
Troa o machado
É o alfanje ceifando o capim
É o facão abrindo clareiras
Surgem pomares, hortaliças e vinhedos
Os canaviais sussurram ao vento
Crava-se a pá no barro preto
Rangem as pipas amassando a argila
Bate a forma do oleiro
Fumegam os fornos
As canoas deslizam na correnteza dos rios
Os remos gorgulham nas águas
Das entranhas retiram areias e pedregulhos
Nesta sinfonia de trabalho, São Caetano cresce
Ouve-se o cacarejar das galinhas, mugidos de bezerros
Grunhido dos porcos, ladrar dos cães
É o rufar dos pombos no céu anunciando liberdade e paz
É a vida do pequeno núcleo
A trilha se transforma em estradas
As estradas se multiplicam e se cruzam
É o chiado dos carros-de-boi
É o guizalhar dos burros
Constroem-se casinholas
Surgem quintais
Crianças brincam à sombra das árvores
Famílias crescem
Famílias se multiplicam
Famílias se entrelaçam
A cidade se desenvolve
É a sociedade sancaetanense em formação
Domingo
Cheio de mato
Missa na capela
Crianças brincam nos quintais
Macarrão da Mamma
A pizza
A fogazza
Pescar
Banhar-se no rio
Gaiola em punho
Caçar passarinhos
Bola de meia
A pelada
O botequim
Gritos e batidas na mesa
É a morra
É o truco
As bolas de madeira rolam na quadra de bocha
O Bepo
Uma sanfona
A dança
Namoro no portão
No ouvido uma palavra amável
Nostálgicos cantam o Mazzolin di Fiori
A cidade cresce
Desponta a Príncipe de Napoli
Ergue-se o campo-santo
Instala-se a primeira escola
Fundam-se clubes
O tempo passa…
Repica o sino da capela anunciando
Prosperidade
A forja
Ferro em brasa
A bigorna
O tinir do metal
Saltam chispas de fogo
É o ferro domado
O tinir do metal substitui o canto dos pássaros
Chaminés rasgam o céu
Implantam-se caldeiras
É o zumbir dos motores
É a forja, o torno, os teares
É o zunzunar das máquinas
É a industrialização
O ruído invade o silêncio
As estrelas perdem seu brilho
O azul do céu desvanece
A vegetação perde a viveza
Rios perecem
Gases industriais expulsam o hálito agreste
A natureza agredida sucumbe
Fogem os pássaros
É o apocalipse ecológico
É o progresso
São Caetano cresce
Se agiganta
É o povo construindo com amor
A grandeza de São Caetano do Sul
O Príncipe dos novos Municípios

Mário Dal’Mas
Cadeira 13 – Patrono Alberto Torres

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COMUNICADO OFICIAL
ANTECIPAÇÃO DO ENCERRAMENTO DAS INSCRIÇÕES

A Academia de Letras da Grande São Paulo informa que, devido ao volume extraordinário de obras recebidas no Concurso de Contos e Crônicas Mário Porfírio Rodrigues – Edição 2026 tornou-se necessária a antecipação do prazo final de inscrições.

Assim, comunicamos que:

📌 As inscrições serão encerradas em 14 de junho de 2026 até às 23h59;
📌 Todas as obras enviadas até essa data e horário serão aceitas e avaliadas normalmente.
📌 Não haverá qualquer prejuízo aos participantes já inscritos.

A medida foi adotada para garantir:
• a qualidade e profundidade da leitura de cada texto;
• a imparcialidade do processo de seleção;
• o cumprimento das etapas previstas, incluindo a publicação do livro com os 50 melhores trabalhos.


Agradecemos imensamente o entusiasmo e a participação de todos os autores, cujo engajamento superou todas as expectativas desta edição.

São Paulo, 09 de junho de 2025

Academia de Letras da Grande São Paulo
Maria Zulema Cebrian
Presidente